Fraude em Porto do RJ: PF acha montanha de dinheiro na casa de auditor
Por: Letícia GuedesGiovanna Sfalsin
Fonte: Metropolis
Investigadores da Polícia Federal (PF) apreenderam uma montanha de dinheiro
em espécie na residência de um auditor da Receita Federal, em Niterói (RJ),
durante a Operação Mare Liberum, na manhã desta terça-feira (28/4). O dinheiro
ainda será contabilizado.
A operação foi deflagrada com o apoio do Gaeco, do Ministério Público Federal
(MPF) e da Corregedoria da Receita Federal, para reprimir esquema de facilitação
de contrabando e de descaminho no Porto do Rio.
No total, 25 servidores da Receita Federal, entre auditores fiscais e analistas
tributários, foram objeto das buscas. Esses servidores foram afastados de suas
funções por determinação judicial.
As fraudes constatadas somam cerca de R$ 86,6 bilhões, no período de julho de
2021 a março de 2026.
Segundo dados da Receita Federal, quase 17 mil Declarações de Importação (DI)
apresentam indícios de irregularidades. As cargas, que deveriam passar por
fiscalização rigorosa, eram liberadas mesmo com inconsistências graves entre os
produtos declarados e os efetivamente importados.
As investigações
As apurações começaram em fevereiro de 2022, a partir de apurações internas da
Corregedoria da Receita Federal que identificaram a existência de organização
criminosa estruturada, composta por servidores públicos, despachantes
aduaneiros e empresários. O grupo atuava de forma coordenada para liberar
irregularmente mercadorias, com divergências entre produtos importados e
declarados, e possível supressão de tributos.
A investigação identificou três principais frentes de atuação da organização
criminosa. A primeira consistia na liberação direta de mercadorias classificadas
nos canais vermelho e cinza, considerados de alto risco, sem o cumprimento das
exigências legais.
Já a segunda frente envolvia o setor de óleo e gás.
O pagamento de propinas era recorrente e estruturado, com valores que chegam
à casa de dezenas de milhões de reais ao longo do período investigado.
Os investigados poderão responder por crimes como corrupção, associação
criminosa, contrabando, descaminho e lavagem de dinheiro, entre outros.
A ação contou com o apoio do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime
Organizado do Ministério Público Federal (GAECO/MPF) e da Corregedoria da
Receita Federal.